Social Icons

sábado, 17 de maio de 2014

RADIOATIVIDADE I


CONCEITOS FUNDANTES SOBRE RADIOATIVIDADE


A radioatividade é a emissão espontânea de partículas e/ou radiações de núcleos instáveis de átomos, dando origem a outros núcleos, que podem ou não ser estáveis. Caso o núcleo formado seja ainda instável, ele continuará emitindo partículas e/ou radiações até se transformar num núcleo estável.

As principais formas de radiação são:

i) emissão de nêutrons;

ii) radiações gama, ou seja, radiação eletromagnética, da mesma natureza que a luz visível, as microondas ou os raios-X, porém mais energética;

iii) radiação alfa (núcleos de hélio, formados por dois prótons e dois nêutrons);

iv) radiação beta, constituída de partículas emitidas por um núcleo, quando da transformação de nêutrons em prótons (partículas beta) ou de prótons em nêutrons (pósitrons).




Nas ciências nucleares, a unidade de energia geralmente utilizada é o elétron-volt (eV). As energias emitidas pelo núcleo são acima de 10 mil eV, valor que é cerca de bilhões de vezes menor que o das energias com que lidamos no dia-a-dia. Esse valor se torna significativo quando lembramos que em cerca de 100 gramas de urânio existem em torno de 1023 átomos. Uma bomba como a de Hiroshima contém apenas 20 kg de matéria-prima, aproximadamente.

A liberação de energia do núcleo se dá através de dois processos principais: decaimento radioativo (também chamado desintegração) e fissão. No decaimento, o núcleo se transforma no de outro elemento, ao ter sua carga elétrica mudada pela emissão de radiação, mudando o número de prótons e/ou nêutrons. O decaimento pode ocorrer sucessivamente, causando uma cadeia de desintegrações, até que resulte um elemento estável.





O tempo que certo número de núcleos de um radioisótopo leva para que metade de sua população decaia para outro elemento por desintegração é denominado meia-vida do radioisótopo.

Vejamos o caso do iodo-131, utilizado em Medicina Nuclear para exames de tireóide, que possui a meia-vida de oito dias. Isso significa que, decorridos 8 dias, atividade ingerida pelo paciente será reduzida à metade. Passados mais 8 dias, cairá à metade desse valor, ou seja, ¼ da atividade inicial e assim sucessivamente. Após 80 dias (10 meias-vidas), atingirá um valor cerca de 1000 vezes menor.

Entretanto, se for necessário aplicar-se uma quantidade maior de iodo-131 no paciente, não se poderia esperar por 10 meias-vidas (80 dias), para que a atividade na tireóide tivesse um valor desprezível. Isso inviabilizaria os diagnósticos que utilizam material radioativo, já que o paciente seria uma fonte radioativa ambulante e não poderia ficar confinado durante todo esse período.


Na fissão nuclear, a energia é liberada pela divisão do núcleo normalmente em dois pedaços menores e de massas comparáveis. A fissão do núcleo raramente ocorre de forma espontânea na natureza, mas pode ser induzida, se bombardearmos núcleos pesados com um nêutron, que ao ser absorvido, torna o núcleo instável.

Fonte : texto adaptado de: A energia Nuclear. CIÊNCIA HOJE , vol. 37, n. 220, disponível em
http://cienciahoje.uol.com.br/files/ch/220/nuclear.pdf Acesso em 24 de maio de 2009.

CONTAMINAÇÃO E IRRADIAÇÃO

É importante esclarecer a diferença entre contaminação radioativa e irradiação. Uma contaminação, radioativa ou não, caracteriza-se pela presença indesejável de um material em determinado local, onde não deveria estar.  A irradiação é a exposição de um objeto ou um corpo à radiação, o que pode ocorrer a alguma distância, sem necessidade de um contato íntimo.




 Irradiar, portanto, não significa contaminar.

Contaminar com material radioativo, no entanto, implica em irradiar o local, onde esse material estiver. Por outro lado, a descontaminação consiste em retirar o contaminante (material indesejável) da região onde se localizou. A partir do momento da remoção do contaminante, não há mais irradiação.


Importante: a irradiação por fontes de césio-137, cobalto-60 e similares não torna os objetos ou o corpo humano radioativos.
  
 Irradiação não contamina mas contaminação irradia.



 Símbolo da presença de radiação*.
Deve ser respeitado, e não temido.

* Trata-se da presença de radiação acima dos valores encontrados no meio ambiente, uma vez que a radiação está presente em qualquer lugar do planeta.





FONTE: Apostila Educativa RADIOATIVIDADE

Comissão Nacional de Energia Nuclear

Rua General Severiano, 90 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ - CEP 22294-900